Pão pão pão pão pão pão, com manteiga é tão bom! Pão pão pão pão pão pão, com fiambre indé melhor!

Esta é a história de um pão. Bom, na verdade dois ou três! Já ninguém o sabe precisar.
Tudo começou numa cozinha familiar, como muitas que conhecem..
Filipa, ao entrar na cozinha com um buraco no estômago, reparou na falta de pão e decidiu descongelar um par, à bruta, no micro-ondas, como nenhum pão deve ser tratado. E quando saíram do aparelho, revoltados com a tortura fizeram-se em pedra. Tão duros que não se deixavam comer. Mas Filipa não os deitou fora, não! Filipa encomendou essa tarefa a Bruno por saber que era uma jornada difícil de finalizar. E Bruno, corajoso e valente, deitou as duas pedras no lixo.
Mais tarde, quando Filomena chega a casa, preocupada com o jantar, repara na falta de pão e decide descongelar ao natural mais dois familiares pães. Estes dois ficam em cima da bancada, enrolados na mais doce toalha já tinham experimentado. Filomena sai então apressadamente de casa para continuar o seu dia.
Quando Sofia entra na cozinha revolta-se mentalmente com o desarrumado que deixou a toalha fora da gaveta. Repara nos pães, e pousa-os na bancada, arrumando a toalha no seu devido sítio.
Passadas algumas horas a família encontra-se toda na sala e Carlos, acabado de jantar, comenta a falta de pão e pergunta o porquê de estarem quatro pães no lixo.

"Quatro?" - todos em uníssono
"Acho que não contei mal!" (Carlos)
"Acabei de deitar dois fora porque quando os descongelámos ficaram horríveis" (Filipa)
"Mas eu descongelei pão quando vim a casa porque não havia!" (Filomena)
"Ah! Então por isso é que estavam enrolados na toalha!" (Sofia)
"Eu sei que deitei dois fora à hora do lanche." (Bruno)
"O quê? Acabei de deitar esses fora antes do Carlos chegar porque os deixaste em cima da bancada! Wait..." (Filipa)
"Aaaaaaah!" (Todos)

E com isto termina a curta história de uma família de pães que nunca chegou a sentir a densidade de uma gota de azeite, o cortar de uma faca apressada, a delicadeza de um bocadinho de manteiga, o rasgão provocado por dentes cheios de fome...


(Os nomes mencionados neste conto foram inventados. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)

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