Sustendo a respiração
Estava vazio e ninguém sabia explicar o porquê.
Àquela hora da manhã já toda a aldeia tinha acordado, calçado um par de botas e caminhado curiosamente até ali. O galo já tinha cantado, acordado por uma brisa matinal fresca de verão, que cantava um fado de bom dia.
Já tinham chegado o leite e o pão a todas as entradas e até o amolador já tinha passado na sua bicicleta musical.
E, apesar do avançado da hora, ainda ninguém sabia explicar o que havia sucedido.
O carteiro parou no pequeno largo para ver o que tinha acontecido;
A peixeira vendia o seu peixe como se nada tivesse acontecido;
A multidão criava rapidamente boatos para resolver o mistério;
A velhinha que não tinha assim tantas doenças ralhava com o neto "no meu tempo isto não era assim";
O senhor com a mania que tinha pouca sorte afirmava "só me faltava mais esta";
O padre com o terço na mão olhava para o céu "Meu deus, que vamos nós fazer?";
A polícia estava atrasada para tomar conta da ocorrência;
O presidente da junta, todo engravatado já encontrava soluções apressadas para responder às perguntas acusadoras dos repórteres televisivos;
Os meninos pequenos viram o largo cheio e voltaram para trás com a bola para irem jogar para outro lado;
A dona da mercearia e o seu marido já apregoavam a alto e bom som "garrafas a cinquenta cêntimos".
Estava vazio. O poço estava vazio.
E nunca ninguém soube o porquê.
Este foi pelo incentivo da


Muito bom. Gostei. Tem mistério.
ResponderEliminarGostei das pinceladas das aldeias de outros tempos...Agora já não se vêem amoladores, pois não?
ResponderEliminarAgradou-me o fim imprevisível,que deixa caminho aberto à imaginação...
Eduardinha, obrigada pelo comentário. Ainda se vêem amoladores sim, ainda no fim-de-semana passado tive um aqui à porta a aparar as facas cá de casa :) é muito engraçado ver como esse trabalho ainda pressiste.
ResponderEliminarEl Matador, obrigada :)