Pauta


Com uma qualquer folha branca e um lápis que esteja à mão, se desenham cinco linhas do mais profundo e fluente pensamento, que se nos apresenta na forma de uma melodia.
Surgem notas, que não sei ler. Surge o preto, surge o branco. Traços precisos e medrosos de quem não sabe ao certo o que está a fazer.
Quem o sabe entende os riscos, rabiscos, circunferências e círculos que vão surgindo em forma de escadas, às quais, por vezes, faltam degraus. Entende os chapéus, entende os espaços vazios. Compreende o tempo e aprecia o silêncio.
Tão natural como a respiração, uma escrita com regras diferentes cresce no papel. Sempre aos pares: o som e o silêncio, o lápis e a folha, o preto e o branco.
Escreve-se como a história, recorda-se com nostalgia já sem cor.
Mas, quando ouvimos, pela primeira vez, a sua melodia, numa qualquer tarde de Outono, deixam de ser cinco linhas, desaparecem os traços confusos, e tudo deixa de ser preto e branco para assumir, de forma colorida, um som que nos marca pela calada.



Este foi pelo incentivo da

Comentários

  1. Lindo, pouco mais se consegue dizer do que escreves-te, pois ficamos sem palavras. A música deixa-nos muitas vezes assim.
    Beijinhos

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  2. Por acaso também gostava de saber ler/escrever música. Ainda andei a aprender, mas não consegui ultrapassar a lição nº 70 do livrinho de solfejo....paciência.

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  3. Este texto, para além de bem escrito, tem ritmo. Gosto :)

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  4. Oh Mel... eu bem gostaria de te ver solfejar... cofi*

    Bonito texto. ;)

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  5. gosto essencialmente desta
    "Tão natural como a respiração, uma escrita com regras diferentes cresce no papel. Sempre aos pares: o som e o silêncio, o lápis e a folha, o preto e o branco."

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